Emprego na construção brasileira caiu 0,78% em abril

O nível de emprego na construção brasileira registrou queda de 0,78% em abril em comparação a março. O saldo entre demissões e contratações ficou negativo em 25,4 mil trabalhadores com carteira assinada, de acordo com pesquisa elaborada pelo SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) em parceria com a FGV (Fundação Getulio Vargas). Essa é a 7ª retração mensal consecutiva. Nos primeiros quatro meses do ano, o saldo negativo soma 90,2 mil vagas, indicando queda de 2,72% em relação a dezembro. Com isso, ao final de abril o número de trabalhadores do setor totalizava 3,228 milhões.

Em relação a abril de 2014, foram fechadas 327,4 mil vagas (-9,21%). Na comparação do acumulado no ano contra o mesmo período do ano anterior, a queda foi de 7,89%, uma redução de 279,6 mil empregos. Segundo o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, “as demissões eram aguardadas no cenário recessivo que se abateu sobre todos os segmentos da construção: imobiliário, infraestrutura e habitação popular. E as expectativas não melhoraram após o anúncio dos cortes no orçamento, ao contrário: reduziram-se ainda mais os investimentos do governo no PAC e no Minha Casa, Minha Vida, bem como em outros ministérios, o que diminuirá o volume geral de obras e consequentemente provocará novas demissões”.

A queda foi observada em todos os segmentos, com destaque para Imobiliário e Infraestrutura, que respondem por 55% do total de empregados e apresentaram retração de 10,49% e 14,31%, respectivamente, em relação a abril de 2014. O enfraquecimento pode ser atribuído ao fim do ciclo da construção imobiliária iniciado entre 2010-2011 e aos cortes de investimentos de obras de infraestrutura, que estão parando ou reduzindo o ritmo de execução. O fraco desempenho nos segmentos Preparação de Terreno (queda de 7,79% frente a abril de 2014) e Engenharia e Arquitetura (baixa de 9,33% em 12 meses), importantes indicadores antecedentes de atividade no setor, também sinalizam perspectivas negativas para os próximos meses.

De acordo com o presidente do SindusCon-SP, “agora o governo precisa adotar com urgência uma agenda para impedir que esse quadro se agrave ainda mais. Os itens desta agenda são: colocar em dia os pagamentos em atraso às construtoras; lançar a fase 3 do Programa Minha Casa, Minha Vida e as novas concessões para a ampliação da infraestrutura com condições atrativas ao investimento privado; e viabilizar o incremento de recursos para o financiamento imobiliário”.

No mês, apenas a região Centro-Oeste apresentou resultado positivo. Confira na planilha abaixo

Estado de São Paulo – Em abril o nível de emprego no estado de São Paulo registrou estabilidade na comparação com março, com leve queda de 0,07%, com o saldo entre contratações e demissões ficando negativo em 623 trabalhadores. No acumulado do ano em relação ao mesmo período do ano anterior, o indicador registrou retração de 6,02%, com o fechamento de 53.750 vagas. Nos primeiros quatro meses do ano, o indicador apresenta saldo negativo de 1.730 vagas, com retração de 0,21% em relação a dezembro. Com isso, ao final de abril o número de trabalhadores do setor empregados no estado totalizava 837,1 milhões.

Em relação a abril de 2014, a queda foi de 6,77% (-60.839 vagas). Entre as 10 regiões pesquisadas no Estado de São Paulo, Sorocaba, São José dos Campos, Bauru e São José do Rio Preto apresentaram resultado positivo no período. A pior queda foi verificada em Presidente Prudente (-3,20%) e Santos (-1,29). Confira na planilha abaixo:

Sobre o SindusCon-SP
O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) é a maior associação de empresas do setor na América Latina. Congrega e representa cerca de mil construtoras associadas e 15 mil filiadas em todo o estado. A construção paulista representa cerca de 35% da construção brasileira, que por sua vez representa cerca de 4,9% do PIB do país.

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Fonte: Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo - 29/05/2015